Entre janeiro e julho de 2025, 64% das denúncias anônimas recebidas pelo Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da ONG SaferNet estavam relacionadas a conteúdos de abuso e exploração sexual infantil. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (20) em relatório da instituição, que atua na defesa dos direitos humanos no ambiente digital.
Segundo a SaferNet, os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes são os que mais chegam à plataforma. “Não existe consentimento possível quando se trata de menores. Toda relação é marcada por coerção, exploração e violência”, destaca o documento.
Impacto do vídeo “Adultização”
Em agosto, as denúncias dispararam após a publicação do vídeo “Adultização”, do influenciador Felca, que expôs situações de erotização de menores nas redes sociais. O conteúdo viralizou, ultrapassando 40 milhões de visualizações e incentivou milhares de usuários a reportar crimes.
Somente entre os dias 1º e 18 de agosto, foram 6.278 denúncias — mais da metade feitas após a repercussão do vídeo. Em alguns dias, o canal chegou a registrar 500 notificações diárias. O tema também pressionou a Câmara dos Deputados a acelerar a tramitação do chamado PL da Adultização, que trata da proteção de crianças e adolescentes na internet.
Inteligência artificial no radar
Outro ponto alarmante citado no relatório é o uso da inteligência artificial para gerar materiais de exploração infantil. A tecnologia tem sido empregada tanto na manipulação de fotos reais de crianças quanto na criação de imagens artificiais (deepfakes).
Apesar de não serem reais, essas produções causam danos severos. “O impacto psicológico, a humilhação e o risco de extorsão são concretos, seja a partir da manipulação de imagens autênticas ou de criações artificiais”, alerta a ONG.
A SaferNet reforça ainda que a IA facilita a disseminação desses conteúdos, ampliando rapidamente o alcance e o potencial de destruição.
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