A virada eleitoral
A Bolívia viveu neste domingo (17) uma das maiores reviravoltas de sua história política. O país terá, pela primeira vez, um segundo turno presidencial, com a disputa entre Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão – PDC), que obteve 31,6% dos votos, e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga (Libertad y Democracia), com 27,1%.
A novidade marca também o fracasso histórico da esquerda, que governou o país por 20 anos com Evo Morales e Luis Arce. Juntos, os candidatos ligados ao Movimento ao Socialismo (MAS) não chegaram a 12% dos votos.
O colapso do MAS
O resultado das urnas mostrou o esgotamento do MAS, que além da derrota presidencial, ficou fora do Senado e da Câmara, perdendo a hegemonia construída desde 2005. A legenda sofreu com divisões internas, disputas entre Evo Morales e Luis Arce e forte rejeição popular diante da crise econômica, marcada pela falta de dólares, combustíveis e alta inflação.
Morales, impedido de concorrer, incentivou o voto nulo — que atingiu 19,1%. A estratégia acabou por contribuir ainda mais para o colapso de seu próprio partido.
O cenário inédito
A disputa de 19 de outubro colocará frente a frente dois opositores de centro e direita, ambos críticos às políticas do MAS. Analistas destacam que o país entra em um novo ciclo político, encerrando definitivamente a era do populismo de esquerda que dominou a Bolívia nas últimas duas décadas.
Apesar disso, especialistas alertam que não há espaço para radicalismos: a escolha dos eleitores demonstra um desejo por renovação, combate à corrupção e equilíbrio de poder, evitando dar todo o controle a um único grupo político.
Um novo ciclo político
Com Paz e Quiroga no segundo turno, a Bolívia se afasta do modelo de governo que marcou os últimos 20 anos e dá início a um período de reconstrução institucional. A queda do MAS é considerada por analistas como o fim do ciclo mais longevo da esquerda no país.
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