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Sabado, 30 de Agosto de 2025

Política

2º turno histórico na Bolívia sela fim da hegemonia da esquerda

Após duas décadas de domínio, Movimento ao Socialismo (MAS) desaba: candidatos opositores lideram e país terá disputa inédita no segundo turno.

João Lima Goulart
Por João Lima Goulart
2º turno histórico na Bolívia sela fim da hegemonia da esquerda
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A virada eleitoral

A Bolívia viveu neste domingo (17) uma das maiores reviravoltas de sua história política. O país terá, pela primeira vez, um segundo turno presidencial, com a disputa entre Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão – PDC), que obteve 31,6% dos votos, e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga (Libertad y Democracia), com 27,1%.

A novidade marca também o fracasso histórico da esquerda, que governou o país por 20 anos com Evo Morales e Luis Arce. Juntos, os candidatos ligados ao Movimento ao Socialismo (MAS) não chegaram a 12% dos votos.


O colapso do MAS

O resultado das urnas mostrou o esgotamento do MAS, que além da derrota presidencial, ficou fora do Senado e da Câmara, perdendo a hegemonia construída desde 2005. A legenda sofreu com divisões internas, disputas entre Evo Morales e Luis Arce e forte rejeição popular diante da crise econômica, marcada pela falta de dólares, combustíveis e alta inflação.

Morales, impedido de concorrer, incentivou o voto nulo — que atingiu 19,1%. A estratégia acabou por contribuir ainda mais para o colapso de seu próprio partido.


O cenário inédito

A disputa de 19 de outubro colocará frente a frente dois opositores de centro e direita, ambos críticos às políticas do MAS. Analistas destacam que o país entra em um novo ciclo político, encerrando definitivamente a era do populismo de esquerda que dominou a Bolívia nas últimas duas décadas.

Apesar disso, especialistas alertam que não há espaço para radicalismos: a escolha dos eleitores demonstra um desejo por renovação, combate à corrupção e equilíbrio de poder, evitando dar todo o controle a um único grupo político.


Um novo ciclo político

Com Paz e Quiroga no segundo turno, a Bolívia se afasta do modelo de governo que marcou os últimos 20 anos e dá início a um período de reconstrução institucional. A queda do MAS é considerada por analistas como o fim do ciclo mais longevo da esquerda no país.

FONTE/CRÉDITOS: João Lima Goulart | Pensa Poços©
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João Lima Goulart

Comunicólogo apaixonado por apurar fatos, contar boas histórias e transformar informação em conteúdo relevante. Natural de Blumenau, moro há 16 anos em Poços de Caldas — cidade que escolhi para viver e amar.