Em Poços de Caldas, a Prefeitura comemora como “avanço” a retirada e o transplante de dezenas de árvores na Avenida João Pinheiro. Mas por trás desse discurso bonito de “revitalização” e “modernidade” se esconde uma realidade cruel: pássaros sendo desalojados, ninhos destruídos e árvores que poderiam ser preservadas sendo cortadas sem piedade.
Enquanto o poder público fala em plantar novas mudas de ipês, muitos esquecem que árvores centenárias carregam história, sombra e vida. Não se substitui em poucos anos o que a natureza levou décadas para construir. Uma árvore adulta abriga dezenas de espécies, mantém a temperatura do entorno mais fresca, segura a água da chuva e dá equilíbrio ao espaço urbano. Arrancar isso para trocar por cimento, bancos e lixeiras não é revitalizar — é destruir para depois tentar remendar.
A justificativa de “segurança” soa conveniente demais. É claro que algumas árvores antigas podem oferecer risco, mas usar esse argumento como carimbo para retirar quase tudo é, no mínimo, falta de cuidado com a biodiversidade. Em vez de preservar o que é possível e tratar o que precisa de poda ou manejo técnico, a escolha foi pela remoção em massa.
As aves que acordavam os moradores com seus cantos, os bichos que encontravam refúgio nas copas, as bromélias e orquídeas que viviam em simbiose com essas árvores… tudo isso está sendo arrancado em nome de uma obra que coloca o concreto acima da vida. E quando a prefeitura fala que vai plantar “mais árvores do que havia antes”, ignora um detalhe básico: mudas novas não substituem, em curto prazo, a função ambiental de árvores adultas.
Esse projeto, vendido como “qualidade de vida”, na prática revela uma gestão que trata a natureza como obstáculo. Quem defende o meio ambiente de verdade não arranca suas raízes — preserva, cuida e equilibra o progresso com a vida. Poços de Caldas não precisa de maquiagem urbana que mata árvores e pássaros; precisa de gestores que entendam que desenvolvimento só é verdadeiro quando respeita a natureza.
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